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Aqui no Montijo...

O melhor da vida é... fugir daqui

Aqui no Montijo...

O melhor da vida é... fugir daqui

20.Mai.18

Manifesto anti-Bruno de Carvalho

j.campião
Até ao momento em que escrevo não há qualquer acusação formal, por parte das autoridades competentes, contra Bruno de Carvalho, no entanto os mais ilustres escrevem, falam, insurgem-se, gritam um imenso manifesto contra ele.  Desde os jornalistas até aos jornais, desde os programas televisivos até às televisões, desde os políticos até à política, todo este pequeno país se tornou imenso como nunca o foi durante os mais de 100 anos de reinado espanhol e todos os portugueses (...)
06.Mai.18

A primeira Bíblia

j.campião
  No fim de cada semana de trabalho ter uma boa máquina de café em casa já não me impede de sair e tomar o pequeno-almoço fora, por isso, atravessei o parque, desci a avenida e cruzei-me com os crentes à saída da missa. Gosto de os observar, mas nem foi o caso, foi antes o acaso, que me fez cruzar com Sérgio Pontini, a quem já ouvi chamar "o maior mentiroso do Montijo". ― Bom dia! ― Bom dia ― estaquei à sua frente. ― Já tomaste café? ― convidei-o, mais a pensar em (...)
08.Mar.18

Uma criança no Afeganistão (A celebração de Markino - parte IV)

j.campião
Há qualquer coisa de acordo tácito no modo como Adélia e eu esperamos que João Maria se afaste e saia pela porta da pastelaria, para aproveitar a trégua da chuva e passear com a menina ao colo. ― O que é que se passou com o teu irmão e os serviços secretos norte-americanos? ― pergunta-me Adélia muito depressa, num tom cautelosamente baixo. Olho-a com surpresa. ― Já me contou que vocês, na verdade, não são irmãos de sangue… ― ouço-a, sorrio e faço a minha cara de parva. ― Contou-me como se conheceram, como se ajudaram, como resistiram no orfanato; mas não me conta por que raio foi interrogado pela
18.Fev.18

O medo e as ondas da Nazaré (A celebração de Markino - parte III)

j.campião
Sigo as coordenadas do GPS e estaciono no local que Adélia me indicou. O mar sopra-me na cara um vento frio e húmido, agitando-me as tranças; puxo a gola do casaco e rodo ligeiramente sobre os calcanhares até vislumbrar o seu vulto, sentado e embrulhado numa manta. Resignada, dou graças por ter calçado botas e caminho sobre a areia. ― Senta-te! ― murmura-me quando chego perto. Passo por detrás de uma prancha, desdobro a manta que me espera no outro lado e obedeço-lhe. Embora (...)
21.Jan.18

A minha amiga Khudzi (4)

j.campião
Morreu a minha amiga Khudzi. Cai uma cacimba grossa quando passo a porta do cemitério, como se estivesse com pressa, e procuro a sua campa. Há um pequeno grupo de pessoas lá ao fundo, em semicírculo; percebo que é onde a vão enterrar. Aproximo-me. Para minha surpresa vejo um padre à cabeceira da campa. Não sei quem ele é (não sou devota) mas sei que não é o da nossa igreja, por isso, concluo que deve ter vindo em substituição. Depois do que Khudzi fez não me espanta que não (...)
01.Jan.18

O segredo do latte macchiato (A celebração de Markino - parte II)

j.campião
O segredo de um bom latte macchiato está na consistência que damos ao café e ao leite; claro que ambos têm que ser de boa qualidade. Aqui o café é bom, mas não posso beber um latte macchiato, não me atrevo a sugerir que me vaporizem o leite e lhe misturem o café segundo as minhas indicações, por isso limito-me a pedir: ― Meia-de-leite, se faz favor. ― Mais alguma coisa? ― Não. Estou à espera de duas pessoas... Espero o meu irmão e a minha amiga Adélia, mas receio que (...)
17.Dez.17

Viagem ao Arizona (O meu preço - parte III)

j.campião
Sinto-me estupidamente calmo depois de ter dormido mal e acordado demasiado cedo, sem ânimo para sair de casa. Decidi tomar o pequeno almoço na sala e ficar a olhar pela janela as pessoas a cruzarem-se na rua, sob a azáfama do Natal, segurando os chapéus de chuva. Rememoro a voz de João Domingos, as suas mãos esfaceladas: ― Quando lá cheguei dei por mim à procura dos Navajos, dos Apaches e dos Índios Pueblo. Tinha feito a viagem imaginando-os a caçar, a lutar, a matar, a morrer.
25.Nov.17

Parar o tempo numa esplanada egípcia

j.campião
Tinha os olhos fechados e a estranha sensação de que tudo se imobilizava à sua volta. Percebeu, sem saber porquê, que devia ter escolhido Paris, mas já era tarde, não podia voltar atrás, não era possível viver o mesmo tempo duas vezes, lamentou consciente da inutilidade do queixume. Se nunca antes o pretendera fazer, por ser infrutífero, seria escusado exigi-lo agora. Parar o tempo sim, já o ambicionara algumas vezes e o fracasso de todas elas nunca o impedira de tentar outra e (...)
20.Nov.17

A raposa do Ártico

j.campião
«Apetece-me um café na Mimosa.»Despi o roupão e atirei-o para cima do sofá. Coloquei um cachecol, vesti o casaco e abotoei-me até ao queixo. Caminhei até à pastelaria, onde me desabotoei com a mesma prontidão, desenrolei o cachecol, sentei-me e pedi dois cafés. A memória é um estranho processo de retenção, consigo recordar minuciosamente os dois acontecimentos mais dramáticos da minha vida, mas sobretudo os pormenores que não presenciei. Memorizei-os pelos olhos de Raquel, (...)
08.Nov.17

Um execrável alarve! (O efeito das borboletas - parte III)

j.campião
Os personagens dos meus quatro primeiros romances eram todos muito bons e foi isso que lhes reduziu os enredos a merda!Na realidade talvez não fossem assim tão maus, mas é como agora me esforço por classificá-los, depois de iniciar a terapia e procurar desenvolver uma imperturbável agudeza de espírito e capacidade crítica, desprovidas de misericórdia.Foi-me necessário escrever mais de mil e quinhentas páginas para perceber que não era capaz de compor, convincentemente, um (...)