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Aqui no Montijo...

O melhor da vida é... fugir daqui

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O melhor da vida é... fugir daqui

29.Jul.18

Regresso a África (Quarto 12, cama 3 - II)

j.campião
  Depois da enormidade do meu ato fui acometida por uma inquietação, durante a qual me repeti vezes sem conta: «Matei um homem! Eu matei um homem!!». O homicídio trouxe-me toda uma emergência de sentimentos contraditórios, de estados de espírito confusos, de dolorosas impressões físicas para as quais eu não estava preparada, nem delas havia sequer suspeitado quando executei o crime. Deixei de escrever, deixei de trabalhar e, por fim, deixei de conseguir conviver comigo mesma, (...)
21.Jan.18

A minha amiga Khudzi (4)

j.campião
Morreu a minha amiga Khudzi. Cai uma cacimba grossa quando passo a porta do cemitério, como se estivesse com pressa, e procuro a sua campa. Há um pequeno grupo de pessoas lá ao fundo, em semicírculo; percebo que é onde a vão enterrar. Aproximo-me. Para minha surpresa vejo um padre à cabeceira da campa. Não sei quem ele é (não sou devota) mas sei que não é o da nossa igreja, por isso, concluo que deve ter vindo em substituição. Depois do que Khudzi fez não me espanta que (...)
01.Out.17

A vida dos outros (3)

j.campião
― Metes-me nojo! ― murmurou Carlota ao passar. Senti-me humilhado, evidentemente. Há murmúrios que soam mais alto do que gritos, há murmúrios que cospem raiva entre as palavras, como o dela. Levantei a cabeça, persegui-a até à porta da rua como um cão acossado, e lembrei-me do dia em que me olhou nos olhos e disse que a minha vida iria acabar mal. Só faltava ela, já todos os outros me odiavam. Havia uns vinte minutos que vinha a observar os dois jovens sentados a uma das (...)
20.Set.17

O melodrama de Carlota (2)

j.campião
  No dia em que se cruzou com Rafael, Carlota previu que ia morrer à frente do balcão da loja com um tiro e uma dor no coração, e isso nada teve de romântico. O mais estranho é que ele lhe pareceu uma pessoa normal. Habituada a decifrar a vida dos outros, Carlota, impotente perante a fria exposição da sua fatalidade, voltou a interrogar-se sobre quem ou o que raio é que decide que se morra! Quem ou o que raio é que decreta que se adoeça? Quem ou o que raio é que havia (...)
28.Ago.17

A mulher das mamas grandes (1)

j.campião
Escolhi a mesa enquanto passava os olhos pela clientela da pastelaria. Havia um casal de idosos; um sujeito de fato e gravata com um tablet ligado e um dossier aberto sobre a mesa, ao lado de uma chávena de café vazia; havia mulher de costas voltadas para mim e dois adolescentes a que não dei maior atenção. O resto eram os habituais daquela hora do dia, cujos pensamentos e raciocínios já estava farto de ouvir e nunca me haviam prometido qualquer evolução… De um modo geral, as (...)