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Aqui no Montijo...

O melhor da vida é... fugir

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27.Dez.16

Pessimismo

Dizem que sou do tipo pessimista. Mas um tipo pessimista levanta-se da cama, toma banho e caminha pelo passeio, cumprimenta as pessoas e sorri para as crianças a caminho do infantário? Um tipo pessimista regista um boletim do euromilhões na tabacaria da praça antes de se encaminhar para a esplanada do Café Mimosa, para se sentar e pedir uma meia de leite direta e um croissant com doce de ovo?

Sim. Um tipo pessimista faz tudo isso. Eu sei porque sou do tipo pessimista.

Debito então o meu pedido e, se desta vez a meia de leite chegar demasiado pálida ou o croissant amachucado, não reclamarei. É isso que fazem os pessimistas, não exigir muito.

Despejo o açúcar na chávena, mexo e dou uma dentada no croissant. Sei que hoje não vou acertar em qualquer prémio, se registei o boletim foi só para não me poder queixar de mim mesmo. Bebo um gole de café com leite enquanto constato que nunca ganhei mais do que o dinheiro gasto numa aposta. Mas hoje é que não tenho fé alguma.

As pessoas otimistas devem andar sempre preparadas para enriquecer todas as semanas; se não mesmo duas vezes por semana. Imagino que se sentem em frente do televisor na hora do sorteio e no final de cada sexta-feira acreditem que na terça-feira seguinte é que é. Quando se é otimista, otimista a sério, talvez nem seja necessário registar o boletim para acreditar que o prémio saia. Sairá na mesma.

Como não sou do género otimista levanto-me para ir trabalhar.

Não me lembro de alguma vez o euromilhões ter saído no Montijo. Se assim é, por razão ainda registamos as apostas? Talvez para não nos podermos queixar de nós mesmos ou, simplesmente, porque não somos muito, mesmo muito, otimistas.

A meia de leite estava perfeita e o croissant estaladiço; não me lembro é onde raio guardei o registo da aposta, mas como também não me vai sair nada…